Conclusões


Espada e bandeira de 1817

O início do século XIX se configura, no contexto das Américas, como um período de busca por identidade nas diversas esferas sociais. Os ideais iluministas do século anterior e as crises existenciais advindas das discussões ideológicas propostas pelas vanguardas da modernidade daquele tempo, forjavam os rostos das nações emergentes. Intelectuais e políticos cogitavam modelos de regime e de governo e inspirados nos sistemas europeus, e a imprensa era um dos principais campos de batalha.


José Inácio de Abreu e Lima foi um dos que exerceu, através dos seus escritos, o papel de agente refletor daquele contexto. Suas intervenções em questões como a necessidade do fim da escravatura, formação cultural, republicanismo versus monarquia, o nascente socialismo, e suas elucubrações a respeito do cenário latino-americano, que muito bem explorou em suas viagens, são fontes inexoráveis e conseqüentes registros de aspectos importantes das construções do que hoje conhecemos como nações, pátrias, países americanos.


No campo artístico, as expressões se configuravam não apenas como veículos de transplante das emoções individuais dos artistas, mas também como elementos de reverberação das identidades regionais, através das suas formas e cores, representando suas “bandeiras” nacionais.


Esta pesquisa – sem finalidades acadêmicas, mas de difusão de conhecimentos e estímulo ao debate – buscou, exatamente, vislumbrar este período, através do percurso de Abreu e Lima pela América do Sul entre 1818 e 1830, servindo como olhos de um tempo representante do processo de construção da identidade nacional brasileira, em comparação à de países vizinhos, de língua espanhola.


Para isto serviram a análise dos escritos do próprio Abreu e de autores seus contemporâneos, como Frei Caneca, Simon Bolívar, Carl August Gosselman, Manuel Cané, Florentino Gonzáles e Flora Tristán, entre outros, além dos atuais, e de referências iconográficas, localizados nos acervos das Universidades Federal e Católica de Pernambuco, Arquivo Público Estadual, Fundação Joaquim Nabuco e em bibliotecas virtuais, como, por exemplo, a Biblioteca Luiz Arango, do Banco Central da Colômbia.


Que seja de bom proveito para todos os interessados nessas importantes questões.


Tatiana Ferraz