Uma metrópole suja e bela

Rua do Bom Jesus, bairro do Recife
Com suas trinta a quarenta mil “almas”, o Recife da infância de Abreu e Lima era o porto econômico e cultural do Nordeste, dos sertões do rio Jaguaribe, no Ceará, até os confins de Minas Gerais. Bastante povoado e extenso para os padrões da época, podia-se caminhar por mais de uma hora através dele, do cais do porto até as casas de veraneio dos ricos em Ponte d´Uchôa e no Poço da Panela.
Formavam-no três bairros: São Pedro de Alcântara, mais conhecido como Recife, erguido à beira-mar, numa península; a Boa Vista, no continente; e Santo Antônio, o maior e mais importante deles, no meio, sobre uma ilha formada por dois braços do Capibaribe.
O mais antigo e movimentado, e também o pior edificado e mais sujo, apesar de todas as suas ruas serem calçadas era o bairro do Recife, onde ficava o porto. A maioria dos seus prédios eram sobrados de tijolos com três, quatro e até cinco andares, nos de baixo funcionando as lojas e nos de cima vivendo as famílias, quase todos, comerciantes portugueses.
A Boa Vista era o mais alegre e moderno dos três bairros, com ruas largas, de casas bonitas, habitadas por gente endinheirada. Já em Santo Antônio ficavam os principais prédios públicos, e nas suas ruas estreitas, de casas de um só piso, vivia a gente brasileira pobre e remediada.
Quando o futuro general se foi, em 1817, Afogados e Ponte d´Uchoa apenas começavam a ser povoados. Quando retornou, em 1844, já eram considerados bairros.