Extensa, populosa e afortunada


Porto do Recife, visto do Cais de Santa Rita

Durante a infância e juventude de José Inácio de Abreu e Lima, Pernambuco era uma das três províncias mais habitadas do País, ao lado do Rio de Janeiro e da Bahia: possuía cerca de quinhentos mil habitantes, de um total de três milhões e meio de brasileiros.


Seu território, que até 1799 englobara a Paraíba, o Ceará e o Rio Grande do Norte, era bem maior que o atual no início do século XIX, pois incluía as comarcas das Alagoas e a do São Francisco, esta última situada à margem esquerda do “rio da unidade nacional”, e correspondendo quase à metade da Bahia atual. Também era uma das mais ricas do Brasil, chegando a superar o Rio e a Bahia, um ano ou outro, em volume de comércio.


Nas zonas da mata Norte e Sul, ao longo do litoral, vicejavam os engenhos de açúcar, produtores da doce riqueza baseada na qual a economia da região se desenvolvera, a partir do século XVI.


No agreste plantava-se algodão, cultura que ganhara um grande impulso a partir da segunda metade do século XVIII: com a invenção das máquinas a vapor e dos teares mecânicos, as fibras americanas cruzavam o oceano para alimentaras as manufaturas inglesas, e depois voltavam, transformadas em tecidos.


No sertão criava-se gado em fazendas de seis a dez léguas quadradas, onde de quatro a seis mil animais andavam soltos e selvagens, aos cuidados de Deus e dos vaqueiros paramentados de couro, das alpercatas aos chapéus.


De lá vinham carnes para consumo dos recifenses e peles de animais que, ao lado de outros produtos de extração vegetal, como o pau-brasil e a ipepaconha, também acompanhavam, em escala menor, o açúcar e o algodão na pauta dos produtos pernambucanos de exportação.


Ao retornar à sua terra natal, porém, em 1844, o general, que esteve fora por 27 anos, iria encontrá-la reduzida à metade do tamanho.


Como castigo aos pernambucanos que se rebelaram em 1817, o rei D. João VI concedera autonomia às Alagoas. E a comarca do São Francisco fora incorporada inicialmente à Minas Gerais, em 1825, e depois à Bahia, em 1827, pelo seu sucessor, D. Pedro I, também como corretivo, após a Confederação do Equador.


Assim como muitos de seus filhos – Leão Coroado, Antônio Rabelo, Vigário Tenório e dezenas de outros, os quais, depois de enforcados, tinham suas cabeças, que pensaram o “crime” de lutar pela Liberdade, e as suas mãos, que o executaram, cortadas e expostas em locais públicos – Pernambuco também fora punido com esquartejamento.