Padre Roma

Fuzilamento, mural de Corbiniano Lins, Recife
José Inácio Ribeiro de Abreu e Lima, pai do futuro general, foi um dos eleitores do Governo Provisório da república pernambucana de 1817, e o primeiro mártir daquela revolução – “a única, no Brasil, a merecer esse nome”, segundo o mestre Oliveira Lima.
Filho de família abastada, ele quis, quando moço, seguir a carreira religiosa. Entrou no convento de Goiana como irmão menor, com o nome de frei José de Santa Rosa. Depois foi para Coimbra estudar teologia, mas de lá acabou sendo expulso, acusado de heresia, em função de suas ideias liberais.
Dirigiu-se, então, ao Vaticano, para aprender grego e latim, onde se ordenou pelas mãos do cardeal Chiaramonti, mais tarde aclamado como o papa Pio VII. Por conta disso, na sua volta ao Recife ganhou o apelido que o acompanharia o resto da vida.
Mesmo depois de largar a batina e casar, o povo jamais perderia o costume de chamá-lo de “Padre Roma”.
Em 1817, quase cinqüentão, o Roma era um orador respeitado, condecorado com a Ordem de Cristo. Tinha banca de advogado e possuía, entre outras propriedades, o engenho Casa Forte, adquirido em 1810.
Enviado como emissário secreto do Governo Provisório de Pernambuco à Bahia, para fazer contato com os patriotas de lá, foi capturado imediatamente após desembarcar da jangada que o trouxe de Maceió, na praia de Itapoã.
Em três dias foi preso, julgado por tribunal militar presidido pelo governador português da Bahia, o Conde dos Arcos, e fuzilado no Campo da Pólvora.
Dois dos seus filhos, José Inácio e Luís foram obrigados a assistir à sua execução.
A estes e aos outros dois, João e Antônio, ele transmitiu, além da tez rosada e dos olhos azuis, a coragem, o orgulho, a instrução e as ideias liberais.