As demais nações hispano-americanas


Entrada triunfal de Bolívar em Quito

A invasão da Península Ibérica pelos exércitos franceses, no final de 1807, além de provocar a fuga para o Brasil da corte portuguesa, também teve imensa repercussão sobre as possessões espanholas nas Américas.


Por dois anos, lá não houve rompimento da ordem colonial. Em 1810, porém, ao chegar a notícia de que Napoleão tirara a coroa da cabeça do rei Fernando VII e a colocara na de seu irmão José Bonaparte, as coisas mudaram radicalmente. Do México à Patagônia os melhores criollos – as elites nativas – aproveitaram a ocasião para proclamar independência.


A reação monarquista seria grande desde o início, e o processo de separação, longo e sangrento.


Afora Nova Granada, Peru e Venezuela, em 1819, ano da chegada do jovem capitão Abreu e Lima à Venezuela, o quadro era o seguinte:


A “audiência” de Quito, que também fazia parte do vice-reino de Nova Granada, estivera independente entre 1810 e 1812, depois retornando ao domínio espanhol.


As Províncias Unidas do Rio da Prata – incluindo a atual Argentina, o Paraguai e o Uruguai – que deveriam ter por volta de um milhão de habitantes, tinham consolidado sua liberdade há dois anos, sob o comando do general San Martin.


O antigo reino do Chile, “terra dos araucanos livres e indomáveis”, com umas oitocentas mil almas, lograra o mesmo há poucos meses.


O México também começara a sua guerra de libertação, em 1810, com um levante popular liderado pelo padre Hidalgo, logo fuzilado pelos espanhóis; e a luta prosseguira com o padre Morelos, também derrotado e executado. Naquele momento estava sob controle europeu.


Quando o general retornou ao Brasil, em 1830, quase todas as nações americanas estavam livres, à exceção de Cuba e Porto Rico, que só escapariam das mãos espanholas – caindo, porém, sob influência norte-americana – várias décadas adiante.