Pátria Boba

Escudo da Colômbia
Nova Granada, também chamada de Cundinamarca, uma grande, rica e populosa nação, para os padrões da época, havia se declarado independente pela primeira vez em 1810, e assim se mantivera por seis anos. Bolívar esteve lá, exilado, por duas vezes, após as derrotas da Primeira e da Segunda repúblicas venezuelanas, em 1812 e 1814.
Os neogranadinos, entretanto, dividiram-se em duas facções: a dos unionistas, baseados em Bogotá, partidários de um governo central forte; e a dos federalistas, sediados em Tunja, defensores de uma grande autonomia para as províncias. Foi um longo período de guerra civil, apelidado de Patria Boba, até que os espanhóis retornaram, vindos do Peru, e os dois grupos foram forçados a se unir, sob a presidência de Antonio Nariño. Juntos, bateram-se corajosamente, por um bom tempo, mas finalmente foram derrotados, em 1816, na batalha de Caxiri.
Assim como Pernambuco foi ocupado militarmente pelos portugueses, após a queda da República de 1817, Nova Granada o foi, nos anos seguintes – um longo período de devassas e perseguições contra os patriotas, até Bolívar libertá-la definitivamente, em 1820, com o jovem capitão Abreu e Lima marchando a seu lado.
Por algum tempo, Cundinamarca, Venezuela e, pouco mais adiante, Quito – ou seja, as nações que compunham o antigo vice-reinado de Nova Granada – uniram-se numa única grande república, a Grã-Colômbia. Mas isso ocorreu, praticamente, por imposição do seu Libertador, e este projeto não se sustentou por muito tempo.
De um modo geral, havia preconceitos e cismas seculares entre esses povos. Os venezuelanos costumam taxar seus vizinhos ocidentais de lentos, manhosos e arrogantes, por exemplo; ao passo que aos neogranadinos eles pareciam irresponsáveis, explosivos e temperamentais. E às suas classes dominantes esse modelo não interessava: seguindo a velha máxima de “dividir para governar”, era melhor, para elas, retalhar o botim entre si, cada qual ficando com seu pedaço.
Apesar de todos os esforços de Bolívar – com Abreu e Lima lhe servindo de escudeiro, não apenas empunhando a espada nos campos de batalhas, mas também pelejando, através dos jornais, no campo das ideias – a Grã-Colômbia morreria quase simultaneamente seu criador.
Abreu e Lima a acompanhou muito de muito perto essa experiência, do nascimento até o fim, e ela o levou a defender o Império, na sua volta ao Brasil, temeroso de que o seu país também se esfacelasse, atendendo aos interesses regionais.