Boyacá


A grande vitória de Boyacá

Nas suas cartas a Pablo Morillo, comandante geral espanhol, o general Barreiro, chefiando a Terceira Divisão, não demonstrava nenhum respeito pelo exército de Bolívar, que chegara ao altiplano boyacaense em julho de 1820. Mesmo depois de essa tropa haver cumprido uma verdadeira epopéia, atravessando a região amazônica, cruzando os llanos e escalando os Andes para ameaçar Bogotá, a capital granadina.


Para ele, afora uns ingleses “delicados”, a armada republicana era formada apenas por desertores, negros e índios das montanhas: “Um inimigo sem valor, pela nudez e a miséria em que se encontra, pela covardia e pelos castigos que tem sofrido dos rigores do clima e das armas do Rei”.


Uma “corja”, na opinião dele, que “jamais fará frente aos bons soldados que eu comando, pois a multidão só pratica desordens, não a guerra”.


O general estava certo quanto à natureza popular do exército pobre e improvisado que o enfrentava – formado, na maioria, por novatos, recrutados por lá mesmo e nem sempre de boa vontade. Muitos deles só seguiam amarrados, e eram treinados apenas nos momentos de repouso, entre uma marcha e outra; ao passo que os seus homens eram movidos tanto por uma rígida disciplina quanto por dinheiro, sendo recompensados com o resultado dos saques aos povoados que apoiavam os rebeldes.


Quanto à “covardia”, porém, ele certamente se equivocou.


Na tarde do sete de agosto de 1819, as duas forças se encontram frente a frente, em Boyacá, dessa vez em uma batalha clássica, de acordo com as boas ordens militares.


Bolívar ordenou um ataque frontal às linha inimigas, comandado por José Antônio Azoátegui; e a José Carrillo, Hermenegildo Mujica e Francisco Santander, mandou agredi-las pelo norte, de surpresa.


Todos os movimentos foram executados sob a mais estrita disciplina, mesmo debaixo de um fogo terrível.


A Terceira Divisão, um dos maiores e melhores corpos do exército espanhol, simplesmente desapareceu. Seu general comandante foi rendido no campo de batalha pelo soldado Pedro Martinez, do esquadrão dos Rifles, e também foram capturados a maioria dos oficiais e mais de mil seiscentos soldados, afora armamento, munição, cavalaria e artilharia.


As perdas republicanas foram de apenas dezoito mortos e cinquenta e oito feridos, e Nova Granada se libertou, pela segunda vez e para sempre.


Abreu e Lima combateu em Boyacá sob as ordens de Santander, e o granadino o condecorou, pela sua participação, com a “Esmeralda de Muzo”.