General e "Homem das Leis"


Francisco de Paula Santander

Este personagem importantíssimo da saga de libertação da América Hispânica, de quem Abreu e Lima se tornou amigo e depois desafeto, era um neogranadino de Cúcuta da mais pura estirpe criolla, neto de antigos governadores tanto por parte de pai quanto de mãe.


Francisco de Paula Santander nasceu em 1792. Quando Nova Granada proclamou-se independente, em 1810, estudava Direito (Bolívar o chamaria de “Homem das Leis” e a si mesmo de “Homem das Dificuldades”). Alistou-se, então, como subtenente, no batalhão de infantaria da Guarda Nacional, em Bogotá, e começou uma longa trajetória de lutas, inicialmente combatendo seus próprios compatriotas.


Na guerra civil que explodiu por lá, inscreveu-se entre os federalistas, baseados em Tunja, contra os centralistas, partidários de um governo central forte, com sede em Bogotá: foram os cinco anos da chamada Pátria Boba, durante os quais cada província proclamou seu próprio governo.


Ferido em uma perna e feito prisioneiro durante um ataque à capital, Santander foi posto em liberdade quando os espanhóis, vindos do Peru, caíram sobre todos eles, e os federalistas aceitaram colocar-se sob as ordens do governo central, liderado por Antonio Nariño.


Combate após combate, o jovem cucutenho ganhou o posto de coronel, em 1814. Em 1816, sob o comando do general Custodio García Rovira, bateu-se na batalha de Cachirí, na qual uns mil republicanos foram mortos e outros tantos capturados, só escapando uns cinquenta, inclusive ele mesmo. E Nova Granada perdeu sua liberdade.


Santander participou, então, da longa e difícil retirada até os llanos de Casanare, empreendida por militares e civis liderados por Manuel Roergas de Serviez, e lutou debaixo das ordens de José Antonio Páez.


Em 1817 incorporou-se às forças de Bolívar, e já como subchefe do Estado-Maior bateu-se em Calabozo, El Sombrero, Semén, Ortiz, Rincón de los Toros e nas ações da Campanha do Centro, no ano seguinte, ganhando a Estrela dos Libertadores da Venezuela.


No posto de general de brigada, Santander esteve na travessia dos Andes e na libertação de Nova Granada, em 1820, das quais também participou Abreu e Lima. Juntos entraram em Bogotá e o granadino condecorou o pernambucano com a Esmeralda de Muzo.


Eleito vice-presidente daquele departamento, Santander exerceu papel relevante na sua organização administrativa.


Por vários anos ele seria o mais próximo colaborador de Bolívar na tarefa de construção da Grã-Colômbia. Aos poucos, entretanto, foi voltando suas atenções e ambições exclusivamente para sua terra natal, e se desentendendo com José Antonio Páez, vice-presidente da Venezuela.


Bolívar rompeu a amizade com ele.


Em 1828, Santander envolveu-se em um atentado contra a vida de Bolívar. Condenado à morte e perdoado pelo Libertador, em seguida, foi se exilar na Europa. De lá voltaria, alguns anos mais tarde, para assumir a presidência da Colômbia, já então separada Venezuela e de Quito, o atual Equador.


Morreu em Bogotá, em 1840.